Santa Catarina,
 
É falsa a ideia de que a TV vai acabar, diz executivo português
17/06/10
 

É falsa a ideia de que a TV vai acabar, diz executivo português

"O mundo está a mudar. Será que a televisão vai acabar?". Com essa pergunta projetada em dois enormes telões, Luís Marques, diretor-geral da rede de TV portuguesa SIC, abriu ontem o 11º Fórum Brasil, evento sobre programação de televisão. Neste ano, o futuro da televisão é o tema central.

 Marques abriu sua fala dizendo que na Europa há a sensação de que a televisão "está à beira da extinção".  "Parece que aquilo que fazemos perdeu sentido. Há algo de novo, que não sabemos exatamente o que é, que se impõe", afirmou o diretor-geral da SIC, emissora parceira da Globo.

 Segundo Marques, fala-se tanto em "novas ferramentas de comunicação" que se tem a impressão de que a televisão está em declínio. Mas isso é falso, sustenta.

 Marques apresentou alguns números: em 2009, o consumo de TV subiu cinco minutos na Europa e três minutos nos Estados Unidos. De acordo com a União Europeia, foram lançados 245 novos canais no velho continente apenas no ano passado. Em Portugal, a penetração dos canais pagos atingirá 47% da população em 2010.

 "Por um lado está criada a ideia de que a TV está a morrer, porém a evidência é a de que a TV esta a crescer", discursou Marques. "A obrigação dos profissionais é perceber as tendências que estão a mudar nossa indústria, quais são as tendências estruturais que vão afetar a indústria da TV", defendeu.
 Isso exige agilidade, porque o mundo hoje muda cada vez mais rapidamente. "O processo de implantação da alta definição não está concluído, e nós já estamos sendo chamados a fazer novos investimentos, agora em 3D", disse.
 Para Marques, um dos grandes desafios é a amortização dos investimentos "em ciclos de tecnologia muito curtos". Ou seja, a emissora nem termina de pagar os investimentos em uma tecnologia e já tem que gastar com uma outra. Mas só há uma solução: investir. "Ou eu faço [os investimentos] ou eu sou liquidado", sentenciou.
De acordo com Marques, as empresas que "não fizerem ajustes tecnológicos rapidamente terão problemas no futuro". E sem capital para investirem, elas não sobreviverão.
 "A consequência será a maior concentração [da televisão] em poucas empresas.  Quem tiver capacidade de gerar cash [dinheiro] conseguirá sobreviver. Os operadores que não tiverem boa estrutura de capital vão ser excluídos desse processo", concluiu.
Para Marques, um dos grandes problemas do negócio da produção de conteúdo hoje é a gratuidade na distribuição, introduzida pela internet. A gratuidade, segundo ele, pode significar o fim do negócio, porque não há garantia de remuneração do produtor pela publicidade.

Fonte: Daniel Castro, R7

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