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Nada será como antes

Por Fernando Morgado – Assessor do SERT/SC, professor universitário e escritor

A pandemia do novo coronavírus colocou o mundo em xeque. A forma como as pessoas se relacionam entre si e com instituições foi completamente alterada. Quando esta fase passar, nada será como antes.

As marcas precisam estar sensíveis às transformações impostas pela quarentena, como o expressivo aumento de audiência registrado pelas mídias ditas tradicionais, o notório descrédito às redes sociais como fonte de informação, a popularização do trabalho remoto e a crescente demanda por entregas a domicílio. Há também um anseio do público por mais compaixão e solidariedade, afinal vivemos a maior crise de saúde pública da história recente da humanidade, com dezenas de milhares de mortos e mais de meio milhão de infectados até o momento.

Muitas dessas mudanças de comportamento permanecerão, ainda que menos intensas, quando a crise arrefecer. Portanto, a partir do instante em que a dinâmica econômica começar a ser retomada, as empresas não poderão ser tão frias ao ponto de simplesmente darem sequência ao que planejaram no já longínquo ano de 2019. Mais do que nunca, é preciso valer-se de agilidade, inteligência e, sobretudo, cuidado para adequar as marcas ao momento atual e, assim, preservar a imagem que elas possuem perante os consumidores.

Algumas grandes companhias têm sido exemplares, adotando um tom mais sóbrio na comunicação, demonstrando cooperação com órgãos de saúde e até com concorrentes, informando atitudes tomadas para proteger seus empregados e valorizando ações de responsabilidade social. Muito disso  precisa continuar e se transformar em legado.

Para os milhões que não podem circular pelas ruas, a mídia se transformou na principal – ou até mesmo na única – forma de tomarem contato com o  mundo exterior. É através da TV, do rádio e dos meios impressos que as pessoas formam suas opiniões e, a partir delas, tomam decisões que interferem nas suas vidas. Mais que uma mera questão de consumo, é uma questão de sobrevivência.

Para que as marcas atravessem esse rio agitado e cheguem a outra margem, é preciso sensibilidade. É hora de mostrar que o capitalismo tem alma e coração.

Artigo originalmente publicado na edição de 1 de abril de 2020 do jornal Notícias do Dia, de Florianópolis.