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SET Sul 2018: painel de rádio sugere o uso da broadband como futuro do veículo

Em um cenário de migração do AM para o FM rádio digital foi um incremento para as rádios que já se sintonizam no FM, afirmam palestrantes em Porto Alegre

 

“Espectro, conectividade e conteúdo. Não dá mais para estas tecnologias andarem separadas. Temos que unir essas possibilidades para explorar conteúdo em outras plataformas”, provocou os palestrantes, o moderador do painel “o momento do rádio e seu futuro”, Carlos Fini, diretor de Tecnologia da RBS TV e diretor de Tecnologia da SET.

Para entender essa discussão, o painel iniciou a sua apresentação com um panorama sobre o momento atual do rádio no Brasil: a migração do AM para o FM. Dados apresentados pela ABERT mostraram que, na região sul, já foram realizados 1786 pedidos de outorga, dos quais, 1128 já foram concluídos e 107 se encontram em estudo, totalizando 70% do total dos sinais de rádios migrados. Dos pedidos não indeferidos, 650 assinaram o aditivo contratual, mas 965 não migraram por pendência jurídica, ou técnica. “Com toda essa mudança, o rádio que não migrar perde o seu espaço porque manter um transmissor AM é muito caro e o rádio embarcado – nos carros – já não tem AM. Então o rádio que não migrar vai sumir”, pontuou André Cintra, diretor de Radio da ABERT.

Neste cenário, o rádio digital figura como incremento para as rádios que já se sintonizam no FM.

Pela sua parte, o diretor da ZYDigital/SET, Marco Túlio Nascimento, lembrou do ponto de vista da broadband como possibilidade para o rádio e não o rádio se adequando à internet. “Ao invés de perguntarmos o que o rádio pode fazer para sobreviver na internet, devemos focar no que a gente pode fazer na internet para ajudar o rádio? Como o áudio pode evoluir nesse mundo digital?”, perguntou ao público.

Com dados coletados durante a NAB 2018, Marco Túlio mostrou que nos Estados Unidos, país que passa por um processo de migração e digitalização do rádio mais avançado que o do Brasil, hoje, 45% dos celulares possuem chips com rádios ativados. “Isso porque lá a Apple é maioria e não concorda com o rádio no celular. No Brasil temos a vantagem de 85% dos celulares não serem da Apple, então ainda há muito celular com rádio FM em uso”, explicou.

No carro, a fonte principal de áudio ainda é o rádio, com 56% de alcance. Outros 15% provém de podcasts ou rádio online. Dados do Kantar Ibope mostram que metade da audiência de rádio brasileira ainda está em casa, mas que o cenário se transformou há cerca de dois anos, com o dos smart speakers, “conectadas à internet com inteligência artificial e interface de voz no assistente pessoal”, explica. O maior exemplo é a Alexa, da Amazon.

“Esse modelo possibilita que seja feito o uso de Apps em cima da plataforma para compra de serviço de música, podcast, notícias e rádio. Com isso a empresa dobrou o seu número de assinaturas em pouco tempo. Mas o potencial dessas caixas é muito maior, são novas possibilidades que precisam ser exploradas”, argumentou.

Outra possibilidade é o Radio on demand, que gerou o podcast. A iniciativa deu certo e o número de ouvintes aumentou desde 2014. “Esses ouvintes ouvem menos radio, e por isso percebeu-se um aumento do numero de investimentos de anunciantes nessa plataforma, ou seja, outra fonte de receita para o anunciante”, afirmou Nascimento.

 

E o FM? Também se reinventa?

Um case apresentado pelo gerente de Soluções Integradas da RBS Rádio, Luciano Costa Hoerbe, mostrou , na prática, como as rádios de sucesso estão se modernizando para aproveitar todas as possibilidades oferecidas pela internet, angariando mais ouvintes e aumentando receita.

“Usamos Big Data, algoritmos, inteligência artificiai (IA) e, internet das coisas (IoT). É preciso ter uma visão sistêmica dos processos para se ter um bom conteúdo. É preciso adquirir um “desconforto” e possuir certa efervescência para que bom conteúdo seja gerado nesse cenário”, defendeu.

O case da Atlântida é o de que a emissora entendeu que se ficasse só fazendo radio ia perder fatia de mercado; “Hoje se reposicionou não como Radio Atlântida, mas como Atlântida geradora de conteúdo, com trabalho mais incisivo em redes sociais, blogs, estúdio de vídeo com melhores momentos do programa, gerando novas possibilidades comerciais”. O resultado, disse, é uma programação que conta com colaboradores gerando conteúdo especializado para, por exemplo, público feminino e comedia. “Eles desdobraram o clássico FM em conteúdos digitais todo dia. Aumentou a audiência, a presença digital e a receita com novas possibilidades e parceiros digitais”, enfatizou o executivo da RBS Rádio.

Essas mudanças atingem ainda o papel do jornalista como gerador de notícia. “Além de falar ao microfone, o jornalista tem que postar nas redes, fazer vídeo etc. Exercer a ubiquidade para estar onde, como e quando o seu consumidor quer consumir”, provocou Hoerbe.

“Fugir do lugar comum é a solução, não da mais para seguir no ‘sempre foi assim’, temos que estar atentos a tudo o que está acontecendo a nosso favor e se adequar aquilo que pode ser aproveitado finaliza o moderador Carlos Fini.

 

FONTE: SET SUL.